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  • Sara de Oliveira Silva

O futuro começa hoje. Você vê?


A cada dia que passa, aumenta o número de pessoas interessadas em construir um futuro diferente e possível. Uma realidade que não está distante, mas começa a ser construída agora, no presente. Esse novo mundo é preto e periférico, feminino e potente.


Nessa realidade, nossos pares podem acessar qualquer espaço e são livres para desenvolver os próprios sonhos. Nossa arte e nossa criatividade é vista, nossa dança é potencializada e nossa individualidade respeitada.


Nesse novo mundo, a ancestralidade nos conecta uns aos outros. E é por meio dela que temos a nossa identidade reconstruída.


Lavínia Coutinho Cardoso. Crédito Zélia Siqueira

"Ancestralidade diz respeito àquilo que você traz, não só quando a gente fala em relação a questões biológicas, mas está em todas as referências que nós trazemos de cultura, de ensinamento e de estética, de uma série de coisas que nos constitui enquanto pessoas pretas";, explica a historiadora Lavinia Coutinho Cardoso.


Juntos, atuamos na construção de um caminho para os que virão depois de nós, fazendo

com que passado, presente e futuro se encontrem.


Isso porque a construção desse futuro já começou. Saímos do campo da idealização e passamos a tirar esse sonho do papel. É urgente que esses caminhos sejam abertos agora, esses espaços sejam ocupados hoje, e o nosso reconhecimento faça parte do presente.


Para que isso seja concreto, o nosso trabalho também começa agora. A transformação social que o Das Pretas acredita só é possível por meio da educação e da inovação tecnológica para todos. É preciso entender que fora dos grandes centros há um mundo de ideias e mentes criativas que precisam ganhar espaço.

Priscila Gama. Créditos Rodrigo Pablo

" O Das Pretas quer construir um futuro diverso, igualitário. Um futuro respeitoso, um futuro não violento, onde as conexões entre as pessoas viralizem a nossa humanidade, de uma forma positiva. O futuro que o Das Pretas quer construir é algo consciente, onde a gente possa estar presente de fato e de direito também";, enfatiza a CEO do Das Pretas, Priscila Gama.


Com isso em mente, as oficinas e treinamentos de gestão financeira, marketing digital, inteligência comportamental e empreendedorismo periférico são apenas estratégias para um objetivo maior: a construção coletiva de um mundo em que nossa voz seja ouvida.


Nossa arte é nossa resistência


A construção desse futuro também passa pelo incentivo à arte e à cultura das periferias. Afinal, nossas festas, nossas celebrações e nossas músicas também compõem quem nós somos e são nossa resistência há muito tempo.


Foi por meio dos cantos que, no passado, nossos irmãos preservaram a nossa cultura, contra a vontade dos seus senhores. Versos cantados por negros escravizados no Brasil viajaram pelo tempo, carregando toda a nossa história e luta.


Hoje, nossas expressões artísticas dão continuidade a essa trajetória e precisam ser potencializadas. Nossa criatividade precisa ser vista e valorizada para que o nosso legado também permaneça.


Desenhando um novo caminho


Todo esse esforço conjunto faz com que uma nova história seja contada, na qual nós somos protagonistas e não só coadjuvantes. Nesse mundo que começa agora, nossas crianças aprendem o legado dos seus antepassados desde cedo.


Nossos pequenos crescem sabendo que são descendentes de reis, tendo acesso a histórias como as da rainha Jinga que, durante o século XVII , governou o Ndongo, um reino da África Central.


No futuro que já começou a ser desenhado, a vergonha dos nossos traços se transforma em orgulho. Nossa pele e nosso cabelo são sinônimos de glória. Nossos pequenos são levados à experiência do quilombo, resgatando brincadeiras e histórias dos nossos antepassados e ressignificando a própria identidade.


Coletividade e força


Apesar de valorizar cada individualidade, o mundo que a gente está construindo se fortalece na coletividade. O compartilhamento de afetos é o elo de uma grande rede de apoio. Ao mesmo tempo que é suporte, é potência. Ao mesmo tempo que cura, impulsiona.


E não é possível pensar em um novo futuro sem autoconhecimento, sem olhar primeiro para dentro. O acesso a quem nós somos e às nossas potências são as maiores inovações tecnológicas que podemos desenvolver.


Esse é o nosso destino. O futuro já começou a ser desenhado. Consegue ver?



Texto por Sara de Oliveira Silva

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