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  • Ana Eliza

Nós

Atualizado: há 2 dias



Sueli Carneiro publicou um artigo para o Correio Braziliense intitulado “Nós?” em 2002, onde questiona a juíza Mônica Sifuentes por argumentar ser contrária às políticas de cota racial nas universidades, já que, segundo esta, “para nós, mulheres, não houve necessidade de estipular cotas”. Sueli contesta sobre o uso do pronome “nós” por parte da juíza, porque as mulheres não compõem um único grupo homogêneo o qual compartilha oportunidades igualitárias.

A autora expõe sobre a eficiência dos mecanismos educativos e ideológicos construídos em nossa sociedade para nos fazer crer que a mobilidade social está posta, disponível igualitariamente e “dependendo apenas do esforço pessoal de cada um”. Mas, nós, quando nos apropriamos das nossas próprias narrativas, não deixamos de levar em consideração a história que nos compõe e que reflete em nossas realidades.


Porém, não pense que essa nova narrativa de “nós” parte de uma ideia parecida com a da juíza. Pois, é por entender a construção da nossa história e das nossas diferenças que lutamos pelo futuro. Um futuro em que a gente olha para trás e reconhece o passado; olha para o lado e se fortalece na companhia do outro; olha para a frente e encontra uma realidade melhor.


Entendendo que o futuro a gente faz no presente, o Das Pretas organizou um projeto de inovação na forma de fazer cultura. O “NÓS DA CULTURA” é contemplado pela Lei Aldir Blanc, que, a fim de ajudar os trabalhadores da cultura com os desafios da pandemia, abriu oportunidade de proporcionar ações de formação básica e de qualificação técnica.


O plano do projeto é o de uma jornada para capacitação e transformação digital para movimentadores da cultura periférica do Espírito Santo, a partir de momentos de potencialização de conhecimento sobre elaboração e gestão de projetos sócio-culturais, operacionalização de grupos e tecnologia.


Em números, o “NÓS” contou com 128 inscrites e alcançou 15 territórios capixabas, tais como Presidente Kennedy, Conceição da Barra, Serra e Santa Maria de Jetibá. Entretanto, o impacto não se restringe apenas aos participantes. Dentre toda equipe à frente da organização, estratégia, mobilização e facilitação das atividades, totalizam 42 pessoas.


Somos nós por nós!


Texto por Ana Eliza.

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